Nos acostumamos a pausar os filmes pelo tempo em que queremos para fazer o que temos de fazer, muitas vezes até tiramos eles e continuamos em outro dia da onde parou. Mas não podemos fazer isso com as pessoas, a gente costuma pausar elas, achando que as coisas vão continuar da onde parou, muitas vezes temos certeza que não, mas o arrependimento está lá, aquele sentimento de “onde eu estive esse tempo todo” ou de “olha quanta coisa eu perdi, quanta coisa legal” ou até mesmo de “poxa, não estive aqui quando mais precisaram” aquele sentimento de egoísmo que te afasta de tudo e que não se importa se vivem , eu que me dizia me doar tanto aos outros, me dizia tão altruísta, me vejo agora como uma pessoa que age só pelos interesses, que joga porque ganha, e que chega uma hora que enjoa e é nessa hora que o jogo acaba pausando uma pessoa, lastimável da minha parte, pessoas não são enjoativas.
Senti a necessidade de recuperar todas as pessoas que dei pause, meus padrinhos, meu irmão que não mora tão longe assim, mas faz um ano que não o vejo, meus amigos distantes que eram pra estar sempre presentes, eu aprendi que as pessoas ficam tão perto de você o quanto você determina que vai ficar, que ser presente é mais dar do que obter, não é uma troca mutua, mas sim doação sem reserva alguma, fazer mais pelos outros.
Muitas vezes reclamei que estava sozinha, mas foi porque assim o quis, afastando todo mundo ou depositando tudo em uma única pessoa ou em poucas, nunca devemos depositar sonhos em cima de pessoas, não digo que não devemos ter sonhos com alguém, mas não devemos achar que alguém vai realizá-los por você, enquanto você fica só olhando, algo utópico, frustrante com a certeza da decepção, eu acho que se não esperássemos nada de ninguém, a gente sempre ia ter uma surpresa e não ia se decepcionar tanto, eu acredito na frase de que para poder ser feliz com alguém é preciso primeiro não precisar dela, mas o ser humano é tão dependente... Eu acredito que deveríamos riscar a palavra “Meu” do vocabulário, até mesmo do dicionário, nada nos pertence de verdade, ninguém nos pertence, o mundo não nos pertence, nossa vida não nos pertence, pois se nos pertencesse determinaríamos quanto mais tempo viveríamos, a maldita mania de dizer meu, ferra com tudo, a mania de posse trás o egoísmo, se não fossemos possessivos, viveríamos melhor, com menos brigas e dores, se não determinássemos o “Meu” nada seria roubado, pois seria “Nosso”, os dois piores males: O ego e o Domínio.
A verdade é que a verdade é uma busca infinita e inalcançável, mas sua busca é vital, o conhecimento é a chave do mundo, o maior dos segredos, o mais eficaz.
Me empenhando mais em fazer as pessoas felizes, me sinto mais feliz, não sei dizer a paz que dá, mas estou cada vez menos centrando as coisas em mim, as vezes bato mil vezes na mesma tecla, mas reparem.... é pra falar de mim? Não estou focando minha felicidade nos outros de modo algum, só estou deixando de querer ser sempre o centro, de estar sempre certa e de falar só porque o silencio se faz presente. De tentar convencer os outros de que o que digo é verdade, as pessoas só acreditam naquilo que decidem acreditar e só ouvem aquilo que decide ouvir, quantas vezes já viram alguém simplesmente interessado em algo que dizia só por querer saber onde quer chegar e não para expor sua opinião, que refletisse com algo dito por ti, e que compreendesse que por mais que palavras fossem necessárias e fossem um remédio, simplesmente não há nada a ser dito a não ser “que droga!” e silêncio....
Nossa linguagem é totalmente corporal, então porque temos a necessidade de por palavras onde o silencio vive, quem disse que o vazio é vazio? Quem disse que é algo ruim?
Estou em um momento que decidi recuperar todas as pessoas que estão pausadas na minha vida, dá uma dorzinha no coração pensar que as vezes amigos que eu era tão confessora choraram e eu não estive lá para ajudar como sempre estava, que eles riram e em algum momento se perguntaram onde está a Aline? Onde as pessoas que me viram crescer, me ajudaram e se perguntam e a Aline? Eu sempre achei que não podíamos ter pessoas demais na nossa vida, pois nunca seriamos cem por cento com ninguém, acabaríamos por ser sempre sozinhos, isso tem um pingo de verdade, mas cultivando pelo menos alguns amigos mais próximos sempre não há problema em encher a nossa vida de pessoas, vou despausar todas as pessoas da minha vida aos poucos, por começar por meus padrinhos, vou pra São Paulo este final de semana para vê-los e passar um tempinho lá, quem sabe a minha madrinha não me ensina a cozinhar... hushsuhsuhsuh, vamos ver no que isso vai dar, depois meu irmão, tenho que vê-lo, como sou uma irmã irresponsável, tenho que ser presente na vida dele e vou ser a partir de agora. O difícil não é despausar as pessoas, mas sim assistir o filme de cada uma, mas vou tentar ser o mais eficaz possível.
Vamos ver no que vai dar!

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