Eu posso simplesmente sair andando sem fechar a porta?
Sem pressão alguma sobre mim, sobre quem serei.
Sem poder medir quem sou.
Eu posso sacrificar minha vida antes que seja tarde demais para faze-lo?
Sem precisar jogar pela janela todos os sonhos.
Meus sonhos.
Sem esperar que isso se torne tão errado que eu não suporte ficar.
Eu posso destruir todas essas memórias e mandar embora tudo o que me possui?
Sem precisar abdicar a paz que habita em mim.
Sem mais chorar.
Eu posso sorrir em todos os momentos que a brisa bater em mim?
Sentir o doce perfume que o vento trás.
Posso simplesmente sentar na grama e contemplar o horizonte?
Sem ter que ser alguém.
Sem ao menos ter que ser eu.
Só ser.
Posso simplesmente jogar fora todas as opções que o mundo divaga?
Posso ficar com a parte do mundo em que se resume a centenas e não milhões?
Tantas possibilidades me deixam perdida.
Não sei escolher.
Nunca soube.
Posso me perder totalmente para descobrir quem sou realmente?
Cantando uma suave melodia com seu drama camuflado.
Então talvez eu realmente consiga ver o que reflete no espelho.
O que realmente reflete e não uma criação da minha imaginação.
Eu posso simplesmente dar boa noite e sair em partida?
Sem ter que me preocupar com despedidas, com quem está ficando.
Em quantos são os feridos e os salvos.
E sim poder conferir meus ferimentos.
Ou talvez, não ter nem que olhar para os meus.
Posso ignorar toda esse grande significado ao qual dão a tão simples vida?
Posso transformar o meu mundo no que quero sem ter que esperar mais?
Tenho que realmente esperar chegar a hora certa?
Isso me cansa.
Esperar chegar a hora certa, mas qual será a hora certa de alterar todo o contexto?
Me pergunto se chegará uma hora a qual chamarei de certa
ou se só me distanciarei mais ainda para longe da chance de ter a hora certa.
Ou talvez de faze-la.
Posso simplesmente tornar como autoridade máxima meu coração?
Posso gritar pelos quatro ventos suas grandes convicções, seu dramas, e até mesmo os seus melodramas cômicos?
Me pergunto quantos ficariam para ouvir.
Mais do que isso me pergunto quantos ficariam por mim.
Posso tornar exposta a loucura que habita em mim?
Posso trazer a tona todos os meus medos?
Minha fragilidade nunca foi bela, muito menos suave.
Cansei do fato de todas as minhas palavras serem estacas.
Todos os doces pensamentos transformados em frias palavras.
Por fim a realidade não se distingue mais da ilusão.
É como uma grande massa homogênea.
Ou é assim que eu a vejo, como uma única incógnita.
Aqui estou de braços abertos.
Na mais singela forma, desprotegida totalmente.
Posso expandir minha mente?
Posso simplesmente sair andando?
Ou posso só estar?
Escolhas diversas, escolhas confusas.
Posso ser quem eu sou realmente?
Ou terei que viver no dilema eterno de ser sempre menos?
Por quanto tempo sofrerei por ser muito mais?
A lamentação se tornou tão entediante que prefiro nem repeti-la.
Palavras nunca foram o meu forte.
E aqui estou eu, questionando esse grande teatro da existência.
Tentando extrair seja o que for de tudo isso.
Jogando os meus pés além do que me permitem pisar.
Abrindo minha mente além do permitido.
Expondo meu coração.
Aumentando a velocidade.
Esboçando um suave sorriso.
Fechando por fim, meus olhos.
Só para sentir por um momento a leve brisa que atinge minha face.
Dou cor ao que é cinza.
Forma ao vazio.
Sacrificaria minha vida por isso.
E pontaria a ficar exatamente aqui, esperando a hora certa.
E para mim não seria um sacrifício.
Mas meus pés se impulsionam além.
A ir muito mais além.
Além do que você seria capaz de compreender.
Além do que eu seria capaz de dizer.
Posso dar um passo além do permitido?
Aline Marques

1 comentários:
ahh pára né ? Palavras nunca foram o seu forte? Desde quando?
Que eu saiba, desde que te conheci vc escreve muito bem, tanto que o meu amor por voce aumentava a cada carta maravilhosa que vc escrevia. Adoro os seus textos ;) e TE AMO cada vez mais, mesmo tendo que lidar com o seu drama (que está melhorando, ohhh \0/)
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