Hunger - Florence + The Machine

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Eu definitivamente não entendo.
E não sei quem há de entender.
Eu tento, tento, fazer tudo certo, tento, tento fazer tudo diferente.
Eu tento fazer o melhor.
Eu tento seguir minha vida.
Tento não magoar ninguém.
Tento me importar com todo mundo ou pelo menos aparentar que me importo.
Eu tento demonstrar interesse por tudo o que está ao meu redor e todos que estão.
Por tudo o que já fizeram, por tudo o que representam e por tudo o que representaram.
Mas nunca é o suficiente.
Nunca é o bastante.
E isso é demais para mim.
Eu sinto que estou perdendo o controle sobre a minha vida e mais do que isso, de que ela não me pertence.
Há tantos para se preocupar, há tantos que vão condenar, brigar, não vão aceitar.
Mas de quem é a vida?
Eu tento fazer o melhor para demonstrar que eu me importo e que não odeio ninguém e nem desprezo.
E que só quero fazer o que julgo certo.
Laços familiares? Há tanto tempo que eles se perderam, que eu não sei porque eles tentam manter a vã ilusão de que ainda existe algo que os mantém, e isso me sufoca, sufoca por tudo o que quero fazer e não posso.
Tirar minhas coisas de casa vai ser uma das coisas mais dolorosas que irei fazer nesse momento.
Representa tantas coisas que eu não poderei mais ter de volta, tudo o que eu nunca mais serei.
E tudo o que já passou.
Começar de novo não é tão simples assim.
E as pessoas ainda vem tornar tudo tão mais complicado.
Será que não podem simplesmente entender que a vida é minha e que as decisões são minhas?
Que será só eu e mais ninguém que terá que conviver com elas para o resto da vida?
Por que mãe?
Por que você vem tornar tudo tão mais complicado, difícil e desgastante?
Eu sei que sou importante a você, eu sei que é minha mãe e não digo o contrário.
Muito menos que é importante a mim, porque é.
Mas eu não sei, você quebrou tanto dentro de mim.
Quebrou tantas partes minhas, destruiu tantas coisas aqui dentro.
Fez tantos conceitos da realidade cair ao chão.
E me fez desejar o maior pecado existente: a morte, só por ter me feito achar que eu não era digna nem de respirar.
Eu simplesmente não consigo ficar perto de você, eu não quero ter uma vida com você.
Porque você me sufoca, sufoca tudo o que eu sou e tudo o que eu quero ser.
Sufoca todos os meus sonhos, sufoca minha mente, com tudo o que nos envolve.
Desculpa mãe. Mas não posso mentir.
E não posso mais mentir para ninguém ao meu redor, fingindo que eu me importo.
Porque isso acaba comigo.
Desde quando eu tenho uma carga enorme de pessoas a quem tenho que dar satisfação e agradar?
Eu não quero isso.
Não quero.
Tudo isso me impulsiona a fazer o que não quero fazer agora.
A ir embora dessa cidade.
A esquecer essa vida.
Mas não quero, não quero apagar meu passado e quem sou.
Não quero simplesmente tirar todas as pessoas da minha vida, porque elas fazem parte de mim e da minha história.
Mas também não quero toda essa cobrança.
Esse fato de nunca ser o bastante me irrita amargamente.
Todas as minhas dores, feridas e pensamentos acabam me deixando triste.
E eu não entendo o porquê que é tão difícil para vocês que viveram comigo a vida toda enxergar isso.
Um tristeza me envolve.
Uma tristeza nobre, digna de quem não entende porque tudo tem que ser assim.
Porque tudo tem que ser necessariamente complicado e doloroso.
De quem não entende o porque todas as coisas ruins tem que acompanha-la desde o primeiro minuto de sua vida, até hoje, quem sabe, até o fim.


"I'm so tired of being here
Suppressed by all my childish fears.

These wounds won't seem to heal
This pain is just too real
There's just too much that time cannot erase."

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