Eis a questão!
Não sei dizer ao certo o que se passa.
Estou dentro de um avião e nem sei ao certo como entrei nele, o destino final é um mistério.
Então eu observo tudo ao redor e é ai onde eu posso ver o caos existente dentro de mim.
Há peças que não se encaixam, medos que não passam, sentimentos que não se vão.
E tantos sonhos e utopias juntos dentro da vontade de existir.
Então, de repente eu só desejo ser aquela pequena garotinha de novo,
Porque no momento minha fragilidade é muito maior do que a dela.
Todo o pânico toma conta de mim.
Não consigo administrar bem os meus dias, não consigo dormir, e tudo o que eu tenho que fazer, tudo o que tenho que saber, me asfixia.
Tudo acaba tendo um gosto tão amargo.
As lágrimas já não trazem mais o conforto para a dor.
Ninguém parece me ouvir, e toda vez que eu tento falar minha voz é calada.
As vezes é tão desesperador não saber o que fazer e ter que tomar as decisões sozinha, arcando com consequências que no final eu serei a única a saber.
Isso acaba por fazer eu sentir que ninguém além de eu mesma se importa.
Daí me calo novamente e desejo ser aquela garotinha que eu era, com o mesmo lindo sorriso, que tinha um modo encantador de ver a vida, com o privilégio de ter alguém lhe dizendo para não temer o escuro.
Acabo me lembrando que sinto fala de inúmeras coisas que não voltarão.
E isso me deixa mais triste ainda.
A solidão nunca foi um objeto que desejei.
Não sei dizer ao certo o que se passa.
Tudo o que sei, é que estou dentro de um avião.
Não sei como entrei nele e o seu destino final para mim continua sendo um mistério.

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