O problema sou eu!
Pessoas não são culpadas,
A culpa é minha!
Elas não podem me machucar,
Sou eu quem faço isso!
Elas não são minha salvação,
Eu sou minha perdição!
Elas não controlam meu cérebro,
Eu deixo ele assumir o controle sobre mim.
Meus instintos me dominam e me destroem.
No fim não sou eu quem não pertence a esse mundo,
Sou eu quem não sabe pertencer a ele,
Eu não sei jogar esse jogo, não consigo aceitar as regras, muito menos a falta delas.
Eu não consigo aceitar que nada é como eu achava que era,
Eu não consigo ver minhas tolas convicções sendo quebradas,
Eu não consigo deixar nesse chão frio tudo o que me orgulhei um dia, tudo o que já me pertenceu,
E eu não consigo aceitar que tudo o que me fez feliz não existe mais e talvez nunca mais existirá.
Eu não consigo aceitar o porque as pessoas são tão más,
Eu as tornei parte de mim e isso foi um erro, elas não me pertencem e através dessa verdade elas jamais corresponderiam a todas minhas expectativas.
Eu falhei!
Falhei comigo mesma,
Me atirei em um buraco bem profundo, e não me questiono sobre quando sairei daqui.
No fim eu tento arrastar todos comigo, porque esse jogo...
Esse jogo da vida, Eu não sei jogar!
Eu não posso simplesmente aceitar que toda maldade é permitida e comum e que mesmo assim, no fundo as pessoas podem continuar sendo boas.
Eu não posso viver com a ignorância e fingir que nada é assim.
Não é só porque a realidade não está de acordo com o que eu queria que fosse que irei ignora-la.
Então eu passo a questionar o que eu fiz de tão errado para estar aqui.
Eu olho ao redor e simplesmente não me encontro em ninguém, eu me sinto totalmente sozinha.
E eu tenho a certeza nesse exato momento, que de nada adiantará procurar no mundo todo por alguém que não seja assim, por alguém que me traga segurança, porque o mundo é assim, e todas as pessoas do mundo são assim... então toda a tristeza toma conta do meu coração, porque eu simplesmente não posso ser assim, eu não posso jogar esse jogo, que diabos eu estou fazendo aqui?
Será que a vida é realmente tão vazia e tão sem sentido assim?
Todos tolas crianças que acham que cresceram só porque os brinquedos evoluíram, carrinhos de brinquedos trocados por lindos carros potentes, bonecos trocados por pessoas, no fim se tornou tudo mais emocionante, com a unica finalidade de dar prazer, de nos fazer sentir, porque toda aquela coisa que expira inocência se tornou cansativo.
Por que nos ensinaram que o bem existia?
Que havia coisas boas pela qual lutar?
Que as coisas teriam sentido além de só existirem?
Que a felicidade era algo que deveríamos conquistar e compartilhar?
Por que nos fizeram acreditar que ao crescer aprenderíamos muito?
Por que nos fizeram acreditar em toda essa mentira?
Ao crescer só contastei que as pessoas podem ser más, porque elas não sabem o que fazem, ou porque acham que sabem o que estão fazendo, ou simplesmente por prazer, que muitas coisas existem só por existir, só para dar prazer a muitos pervertidos, e que ser pervertido tudo bem, é algo super normal e aceitável, Ah, e aliais não existe essa coisa de normal, que tudo é totalmente estranho, não há nenhuma receita real a ser seguida, e a felicidade não é um caminho, só uma besteira que contam para as criancinhas ficarem felizes e dormirem, compartilhar? Se dividir sobra menos, pensar nos outros? Pra quê? Eles não vão pensar na gente, aprender? Oh, estamos todos fazendo isso e faremos até morrer, não há alguém no mundo que saiba como fazer, só há pessoas que te enganarão ou que simplesmente não estão nem aí, tudo bem acreditar em qualquer coisa, em fazer qualquer coisa, tudo é permitido, desde que não seja pego com as mãos na massa.
Assim a vida parece tão sem sentido...
Mesmo as pessoas encontrando sentido nisso.
E ignorar a realidade não tornará ela uma mentira, é tão triste saber que a realidade é assim, é tão triste olhar para o lado e ver que as pessoas são assim, todas elas, prazer.. prazer... prazer... dane-se tudo.
Então descubro também que princípios é algo free, e que cada um pode ter o seu, igual a um celular ou um sapato... e eu achava que princípios era algo único justamente pelo nome.
Que era algo que todos deveriam ter em comum, princípios são importantes, porque eles nos dão noção, nos dão um bom coração e nos fazem agir da melhor forma, para nós mesmos, para a sociedade.
Então há tantas coisas certas e tantas coisas erradas nesse mundo.
Daí me dizem que não existe isso de certo e errado, e que essa coisa de pensar na sociedade é um assunto furado.
Então eu me sinto tão perdida, porque o que farei eu com tudo isso que possuo no coração?
Devo atirar minha bondade pela janela e não mais sentir?
Devo deixar isso me contaminar? Ou isso não será uma contaminação, só apenas um acordar para a realidade.
Então não existem vadias, só pessoas que entraram em nosso caminho e nos prejudicaram e que devem pagar por isso... pessoas que não fazem as coisas como nós faríamos e que por isso são incompetentes?
Então tudo é realmente assim?
Por que eu fui crescer? Ou será que tudo sempre foi assim e eu não via?
Então pra que continuar? Para que conquistar?
Qual o objetivo além de todos os motivos sujos e desprezíveis que fazem parte de toda intenção humana.
Humanidade... Um significado tão grande para simples pessoas...
Definitivamente não são humanos são bichos.
Então me dizem que esse é o meu ponto de vista de ver a vida, e que as pessoas que antes compartilhavam dos mesmos objetivos, dos mesmos pensamentos... Não... Eles não pensam assim mais.
Eles cresceram e você não.
Então eles não estão na mesma linha que eu? Então quem está?
E então eu me sinto tão perdida, tão sozinha.
Eu simplesmente não sei o que fazer.
Não vou jogar um jogo como se ele fosse outro, sabendo que a realidade que ignoro é a que acontece, é a verdade.
Eu julguei isso aqui tanto como céu, que a felicidade era possível, que as coisas tinham sentido, enquanto todo mal me rondava e debochava de mim por ser tão tola.
Então é assim?
O problema realmente sou eu.
Mas se eu não me encaixo, então simplesmente não faço parte de nada.
E eu não posso viver como se não fizesse parte de nada.
Eu preciso ser parte de algo, algo real e verdadeiro.
Mas se não existe isso no mundo, como posso pertencer? Como posso existir?
Por mais que eu emane todo bem, a realidade emana minha inocência.
Eu simplesmente não me encontro em nada disso.
Então eu não quero jogar se as regras são assim, eu não quero fazer parte disso.
Porque eu simplesmente não sou assim.
Eu não sou tão fútil, tão normal, eu não necessito de tanto prazer assim e muito menos de liberdade ilimitada, e nem dessa coisa de princípios free.
Então chego a ultima conclusão que posso ter:
Eu não nasci para conviver com pessoas, eu não nasci para viver em sociedade, porque eu simplesmente não dou valor a coisas tão usáveis, tão prazerosas e tão livres de qualquer consequência.
O mundo é um lugar muito frio, onde idiotas vivem enganados com a possibilidade da felicidade.
A realidade acontece minha gente, e não é aquela que a gente idealiza.
Eu sempre me achei diferente, que faria parte de algo grande e unico.
Hoje sei que a minha grandeza se encontra em ser a unica idiota da face da terra que não quer acordar para a realidade,
A realidade com todo seu negativismo me mata, com toda essa mania de obsessão, posse, dinheiro, ego, prazer, simplesmente viver, tudo é permitido, me chateia.
Um dia achei que a liberdade era boa, e que era tudo o que eu precisava.
Doce engano...
A liberdade é uma armadilha.
Eles vão arrancar meu coração fora, porque eu simplesmente virei para eles e falei:
"Venha, pegue! Ele pode ser seu! É só querer... No fim não é grande coisa".
Eu não quero ser parte de algo tão estúpido.
O mundo é tão vazio.
Então o desespero toma conta de mim, e tudo aquilo que sempre temi se tornará então realidade.
Tudo pelo qual chorei tantas noites com medo, acontecerá.
Por que a vida é assim?
Pessoas não são nossas propriedades, não podem viver de acordo com nossos conceitos, então elas não podem permanecer na nossa vida por muito tempo.
Por que nós não podemos mante-las para sempre em nossa vida? Da forma como elas sempre foram, da forma como as admiramos pela primeira vez?
Por que elas tem que se transformar em algo tão estranho... em alguém tão diferente do que vimos pela primeira vez? Por que elas se distanciam de nós, nas ações, pensamentos?
Será que elas mudaram ou nós que víamos errado?
É impossível ver com os olhos coração da maneira errada.
Mas se bem que eu considerava tanta coisa impossível e hoje simplesmente não sei o que dizer, o que pensar.
Coração...
Algo para ser trucidado pela realidade, para ser usado como bolinha de pingue-pongue no meio do combate.
Eu não sei pertencer a isso tudo.
É grandeza demais para mim.
É triste demais para mim.
No fim eu fiz isso sozinha,
Eu me feri.
Não aceitar a realidade é pedir por isso.
Eu só queria que mais alguém no mundo fosse que nem eu...
E que pudesse me salvar,
Me salvar de toda essa loucura e me dar um bom motivo para viver.
Alguém como eu.
Eu só vejo idiotas, idiotas que não perceberam ainda como o mundo funciona e idiotas que gostam de fazer parte disso.
Então aquele sonho, aquele sonho que tive durante anos é realmente real.
Eu sempre estive em um prédio abandonado, com apenas seu esqueleto completo, sem paredes, sem luz.
Só. Observando o nada, esperando... só que eu nunca tive a sensação de que havia algo que eu estive esperando.
Hoje compreendo que sou eu, naquele prédio, com toda aquela escuridão envolta em mim,
Com toda solidão preenchendo o ar que respirava, sozinha.
Exilada por me negar a aceitar as terríveis regras do mundo.
Essa terrível realidade.
Esperando talvez por alguém, alguém como eu.
Mas com a certeza convicta de que esse alguém nunca viria.
Apenas com a oportunidade de contemplar a solidão do mar.
Hoje compreendo que aquele sonho representava quem eu sou.
E eu não sei o que pensar.
Não sei como agir.
Droga!
Por que a realidade tem que ser essa?
Por que a vida tem que ser assim?
Esse mundo está tão acima do que eu sou,
Tão além do que sou capaz de ser,
Sendo bem mais do que eu serei.
Eu simplesmente não sei ser assim,
Por quê?
Isso me machuca tanto.
Não saber viver, não saber o que esperar,
Não ter um "como deve ser".
Um simplesmente "Foda-se, vamos viver!" nunca foi meu lema de vida.
E nunca será...
Então eu pago o preço todos os dias.
Bebo em suaves e mortíferos goles,
Tudo o que eu não decido ser,
Toda forma que me nego a assumir,
Elas vem de encontro a mim, e me acertam.
A insensibilidade é algo comum,
E eu me nego a aceita-la como todas as coisas comuns.
E o preço que pago?
É só observar todas as vezes em que meu coração é estraçalhado,
Em todas as vezes em que me calo, porque ele dói de uma forma descontrolável.
E todo o tempo que desperdiço ao me negar a decidir em não deixar as coisas serem como devem ser.
Eu não sou capaz de mudar a realidade, não posso fazer isso sozinha.
Eu sozinha, pareço uma criança mimada que se nega crescer e acordar para vida,
Pareço com alguém querendo ditar parâmetros e dizer como todos devem ser,
Que princípios devem ter.
Pareço como Hitler tentando impor os meus princípios ao mundo, ao torna-lo como verdade universal.
Pareço uma lunática ao falar em amor e felicidade.
Mas será que o meu modo de ver o mundo é tão errado?
Essa maneira realista como a vida funciona, não é algo agradável,
O egoísmo leva em solidão,
E fazer o que quiser leva em tomar muitos tombos e fazer muitas coisas sem sentido e que machucam.
Tudo ser normal e permitido leva ao caos total.
E nenhum desses métodos realistas de como a vida funciona leva a felicidade.
Seremos sempre seres sedentos a procura de algo que nos faça sentir prazer e que dê sentido a tudo.
Seremos sempre vazios, tristes, incompletos, dotados de uma falsa sensação de felicidade.
Dizendo que doses momentâneas bastam para viver e que tudo tem que ser assim.
Eu não sei ser assim...
Eu não sei ser assim.
E isso me assusta.

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