Hunger - Florence + The Machine

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Minha vida não é incrível.

Dias passam, as horas correm.
Eu costumava olhar para o passado e me orgulhar por sempre estar mais que um passo a frente, de tudo.
Coisas comuns, coisas que outras pessoas da minha idade não entenderiam ou ainda não tinham vivido, eu estava sempre um passo a frente.
Eu não sei por quanto tempo considerei que viveria nessa vantagem da vida, por quanto tempo mais estaria além do normal, provavelmente se eu quisesse me manter em tal posto eu deveria fazer algo a respeito, ao invés disso estagnei, talvez por protesto, pois toda a evolução até a presente momento havia sido imposta e não desejada.
Então hoje olho para a minha vida e não vejo mais nada de tão incrível, não torno isso uma lamúria, mas ela não é mais incrível, o brilho no olhar, a alegria estampada no rosto, o sorriso grandioso vindo do meu coração não estão tão presentes como antes, as vezes eles reaparecem diante de pequenas coisas que me dão motivação, que me fazem sentir viva, como por exemplo, um simples jogo de frescobol.
E eu sou movida por coisas incríveis e grandiosas, porque são elas que me fazem sentir viva, são elas que purificam meu coração, são elas que me fazem ser quem eu sou, toda essa mesquinhez da vida não é meu estilo.
Onde estão essas coisas em minha vida?
Por que eu me permiti estagnar?
Eu faço planos e eles não dão certo, eu tento manter o controle sobre certas coisas e quando eu vejo, já foi.
Hoje a minha vida é normal, eu sou normal e não estou mais um passo a frente de ninguém ou de nada, não digo isso como uma forma negativa de ser superior aos outros, não se trata dessa coisa besta ligada ao ego, mas da certeza de estar vivendo o máximo que a vida nos permite viver.
Hoje me vejo quase dando um passo para trás.
Eu olho para as pessoas ao meu redor e como eu gosto delas, como eu as considero, mas pedir retorno é algo que eu nunca poderei fazer, porque eu não sou assim; elas poderiam ao menos para de tentar viver minha vida no meu lugar, dizer como eu devo viver, como eu devo fazer, com quem devo estar ou que devo estar com alguém, que certas coisas que faço é errado, bom, tais atitudes não são exemplos de quem gosta e ama e se importa e sim de qualquer vizinha fuxiqueira.
Eu dou asas para todos que me importo voarem, voarem para onde desejarem, voarem para longe de mim, errarem e quebrarem a cara, mesmo que eu saiba antes de eles terem feito algo, mas é algo que eles tem que aprender sozinhos, que tem que viver, eu não posso simplesmente roubar essa experiência da vida deles e dizer como devem viver ou como devem fazer.
Hoje eu só vejo as pessoas tentando viver a minha vida, tentando me roubar algo que é meu por direito, tentando evitar que eu siga da forma como eu desejo e dizendo que há algo errado, a cada oportunidade que aparece, lá estão elas para apontar o erro ou dar uma sugestão tola sobre algo que eu já expliquei da forma mais amável possível que é a minha forma de ver a vida, que é o meu pensamento.
É o meu espaço, elas ao menos deveriam respeitar isso, não digo as pessoas que não me conhecem, elas não me conhecem, não sabem qual é o meu limite, qual é o meu espaço, elas não me afetam; mas sim as pessoas que me conhecem e sabe qual é o meu espaço, o que penso, o que sinto, eu me questiono o porquê elas sempre tendem a fingir que desconhecem, que não sabem, que eu nunca falei e vem me impor suas opiniões e sentimentos próprios sobre determinados assuntos... amigos, não é assim, porque assim vocês me sufocam e acabam com uma parte minha já não tão incrível.
E então eu me vejo exatamente de novo no ponto que me trouxe aqui, nada é mais tão incrível e o incrível é praticamente impossível agora.
Eu adoraria dizer que hoje me levantarei da cama disposta a mudar o mundo, o meu mundo e fazer tudo diferente, a tornar tudo incrível de novo, a fazer coisas grandes, mas a quem eu estaria enganando além de eu mesma?
Minha vida é uma droga, todas as escolhas que faço são uma droga, e isso novamente não é uma lamúria, mas sim um fato.
Não sou muito fã do meu trabalho, aliás, odeio trabalhar.
Faço uma faculdade para ganhar mais dinheiro, com a intenção de não ser algo definitivo e sim temporário.
E eu nem gosto tanto do que eu faço, não porque não seja legal, mas aquilo lá não sou eu.
Eu sinto a cada segundo que passa que eu estou perdendo tempo, perdendo tempo com tudo isso aqui, porque nada disso sou eu e nada disso sendo eu, que outra coisa haveria para mim além da infelicidade e coisas não incríveis?
Podemos negar nossas origens, podemos negar quem somos, o que somos, mas isso tem um preço alto, e eu já não sei mais o que é sanidade.
Aliás, eu não sei nem mais que dia é hoje.
Eu me prendo aqui, a coisas totalmente tão sem sentido para mim, coloco essa corda em meu pescoço, e a cada dia que passa eu sinto ela apertando mais e mais, e o meu humor se torce de dor, porque todo dia eu mato a mim, um pedaço meu se vai todos os dias.
E então eu olho para as minhas correntes e sinto medo de ficar presa pra sempre, penso em sair, mas logo a frente está um contrato escrito "Bem vinda ao mundo real" e então eu tenho que fazer tudo o que tenho que fazer, eu tenho que estar aqui, eu tenho que ter um emprego, esse emprego, fazer essa faculdade, porque eu preciso de dinheiro se eu pretender soltar minhas correntes um dia.
Aquele dilema "Começou termina" que demostra determinação, está fixado na minha cabeça, como um veneno, então eu não consigo deixar para trás algo tão grande que comecei.
Eu sei que preciso, mas eu não consigo, não sei como fazer, não sei o que fazer, e isso me assusta, estar sozinha nessa me assusta, e não é culpa de ninguém, é minha, porque ninguém pode estar comigo.
Os amigos incríveis que tinha, bom, eles não são incríveis, eu os coloquei em um pedestal, e isso é minha culpa também, eles são pessoas e não deuses para eu agir como tal. Eles são maravilhosos e humanos.
Talvez no dia em que eu pare de mentir para eu mesma, ou no momento em que eu pare de fazer todas as coisas que eu não sinto a mínima vontade de fazer, as palavras das pessoas parem de me afetar; mas até lá é uma grande caminhada, porque o meu eu ferido que sofre com tudo isso, está sempre disposto a tacar seja o que for na minha cara de tanto remorso que sente.
Mesmo com toda essa situação não incrível, eu jamais viverei a sombra dos outros, a vida de outras pessoas, não importa o quanto elas sejam... incríveis, uma das coisas que eu mais detesto é que as pessoas virem para mim e falem "Olhe minha vida, deu certo, faça como eu!" Eu não nasci para seguir instruções, aliás, eu nunca tive e não será agora que começarei. Se algo dá tão certo na vida de alguém, é porque a vida é desse alguém e tem milhares de motivos na vida desse alguém para dar certo, não na minha.
Isso é quase como dizer, parem de tentar comparar minha vida com a de vocês em qualquer aspecto que seja, não é só porque eu talvez não tenha algo que vocês tem, que isso significa que eu preciso, em caso de dúvida, perguntar é sempre melhor do que sugerir ou impor.
Então eu me vejo presa nessa realidade e é uma droga, tenho que admitir, as coisas sempre darem tão errado e eu ter que ter toda essa responsabilidade insuportável é um saco.
Pensar... Pensar... Pensar... e fazer da melhor forma possível, porque hey, essa aqui sou eu, a que tenta fazer tudo certo.
Pra todos.
Fico feliz por isso funcionar pelo menos pra alguém. E espero ansiosa pelo dia que dará certo para mim.
Quando foi que eu deixei a minha vida chegar a esse ponto?
Como eu saio dele?
Eu me sinto como uma viciada sem suas drogas.
De nada adianta todas as verdades em meu coração, porque Hei, estou de frente para elas, só que elas não mudam os fatos, não mudam tudo o que está aqui, não muda como tudo deve ser, como tudo é.
É preciso um pouco mais que isso para tornar as coisas incríveis.
Fugir? Não, fugir é um ato de covardes e eu não consigo ser assim.
As pessoas costumam dizer que pensar ajuda, e isso me dá vontade de rir, outra coisa que funciona bem no nosso mundo sentimental e não no real.
Eu definitivamente não me orgulho de quem eu sou, e sabe por quê?
Porque essa aqui não sou eu de verdade e enquanto as coisas continuarem como estão nunca será.
Enquanto as coisas não voltarem a ser incríveis, nada estará bem, eu não estarei bem.
E o desespero não me deixará em paz.
Coisas incríveis me fazem sentir viva.
Cadê elas?

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