Hunger - Florence + The Machine

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"...dessa vida não se leva nada não..."

Quem dera que as palavras fossem frutíferas..
Mas elas não são.
Falha a mente e cala o coração.
Elas ao final não traduzem tudo, elas jamais seriam capaz.
Porque afinal que seres humanos seriamos se elas fossem capaz de transmitir tudo?
Nós a criamos e não ela a nós, é totalmente compreensível que ela seja tão falha.

É incrível como o tempo passa rápido, cada vez mais rápido, coisas que antigamente nos pareciam eternas, agora são vistas de forma diferente, como se talvez a eternidade não existisse ou não merecesse ser agregada a nenhum mérito mundano.
Simplesmente pelo fato de que as coisas vem e vão, vem e vão, vem e vão....

E então eis-me aqui.
Tentando me adaptar a coisas que jamais pertenceram a mim.
Daí resta-se a dúvida: se de fato é o que é, ou se sou eu quem tem uma péssima capacidade para mudanças.
É obvio que não sou, disso eu já sei.
Então é isso que acontece com alguém que nasce no século errado?
Meus valores me foram conferidos há mais de cem anos.
Minha educação foi-me dada há pelo menos uns 115 anos atrás.
Meu discernimento e capacidade de percepção há pelo menos dois séculos.
E por fim meu coração que foi esculpido como um diamante no fogo da brasa angelical há milênios.
Porque não, meu coração não é de forma alguma mundano.
Juntando-se tudo isso ao corpo de uma mera mortal, se obtém o que temos aqui: Eu.
Convivendo com a rustica sociedade atual e seus seres humanos que jamais foram lapidados,
Criam-se alguns defeitos e muitas dores, porque afinal como poderia tanta beleza e sutileza sobreviver a tudo isso sem nenhuma dor, sem ser contaminada pela convivência?
Não sou composta de grosserias, nem da desatenção, muito menos semeio insensibilidade em meu coração.
São alto defesas necessárias, me ensinaram que eu deveria agir dessa forma, me ensinaram que eu deveria ser assim, porque no final seria mais fácil.
Só que nunca me disseram o que seria mais fácil...
Viver? Sobreviver? Co-existir? Conviver?
Eu já fui muito melhor... e me envergonho por ter deixado de ser.
Mas com o tempo você percebe que a adaptação garante a sobrevivência.
Eu nunca entenderei ao certo as intenções dos seres humanos em suas grotescas atitudes, em suas infantilidades, suas futilidades, suas loucuras, crises e surtos.
Não que eu não seja uma mera mortal também, mas é que meu coração foi zelado há milênios por anjos...
Por que me deste esse coração?
Por que ele tem de ser meu?
Diante da minha pequenez mal posso mudar minha vida com ele, quem dirá o mundo.
Como posso eu entregar algo tão puro a um ser meramente mortal?
Eu simplesmente não posso...
"Liberte-se das correntes!"
Foi o que me disseram uma vez, e assim eu o fiz algumas vezes.
"Como saberá se nunca tentar de novo?"
Foi do que me convenceram outras.
"Ah... por que tanto medo?"
Foi do que me convenci por final.
A soma disso tudo?
A pureza total de um sentimento entregue a  pessoas que jamais foram capazes de mensurar sua grandeza e delicadeza.
Elas jamais saberiam como cuidar.
O resultado?
Algumas partes da minha alma perdidas para sempre.
E nem todas elas foram feitas pelo romantismo.
Aquilo que se chama amizade pode corroer também.
Pode-se colocar a culpa em zodíacos, no meu nome, história, o que for,
E no final a única verdade será que essa aqui sou eu.
Nada mais, nada menos.
E no fim dos dias que se sucedem ainda continuará sendo a única verdade.
Eu simplesmente não me encaixo em nada disso, porque nada disso sou eu.
Roupas, bandas, status, trabalho, carro, casa, viagens, amigos, relacionamento, família, faculdade, gostos, preferências, atividades, baladas....
Ao mesmo tempo em que tudo isso foi feito para conhecer melhor uma pessoa, para agrada-la,
também foi feito para classifica-la, condena-la, julga-la.
Para mim a vida é tão mais simples, porque não se encaixa em nada disso.
Há simplesmente para mim, o que eu gosto e o que eu não gosto,
Sem o porquê, sem o pra quê, sem ser porque fulano disse ou porque é assim que parece, sem paradoxos complicados.
Há o que eu julgo certo e o que eu não julgo certo.
Boas intenções e más intenções e fim.
Todo o resto para mim é uma perda de tempo,
Se faço algo é porque me sinto bem fazendo ele, se deixo de fazer é porque não o quero mais.
Toda essa idiotice de fazer porque alguém o vê, porque se quer aparentar algo, porque há que se criar uma imagem, não se aplica a mim, pelo menos tento manter isso o mais longe que posso.
A sociedade nos ensina a sermos seres superficialistas e por fim nos ensina a renegar quem nós somos para parecer com quem devemos ser.
Milhares de cobranças e todo esse status, ser o cara, ter a casa...
O que exatamente significa isso?
Tolice!
É isso o que eu penso todas as vezes quando alguém me zoa, tenta ou prova que é melhor que eu em algo, quando alguém faz questão de me mostrar que estou errada, ou de me usar como piada, coisas que as pessoas fazem quando querem mostrar que somos menores e que elas estão por cima.
É claro sou humana, isso não quer dizer que eu deixe de me irritar, mas para mim sempre será tolice.
Há tanta beleza na vida, tantas coisas boas para nós preocupar e nós ocupamos nosso tempo semeando o que há de ruim, seja com piadas sádicas ou consumando o ato da maldade, nós sempre optamos pelo mal no fim. E isso é triste...
Então o que resta para mim?
Eu realmente não sei...
Não está nos meus planos o super-homem vir me salvar.
Que eu saiba ele só existe em quadrinhos.
E não é uma pessoa que será capaz de mudar o fato de que o mundo é o que é.
E eu sou o que eu sou, uma peça estranha de um quebra-cabeça já completo.
Eu sou o 102 de um quebra-cabeça de 101.
Eu não pertenço a isso aqui, e quanto mais tento me encaixar, mais os espinhos apertam meus punhos.
A unica forma de sobreviver a tudo isso, é viver na parte superficial do mundo.
Assim não se tem grande impacto porque afinal ninguém está conectado a você.
Não era assim que eu tinha planejado viver quando era pequena.
Embora eu nunca tenha me encaixado, sempre tive esperanças de aprender a me adaptar, ou de ter super poderes quando crescesse, qualquer um dos dois estava bom, mas nenhum aconteceu.
É claro, tenho lindos sonhos e objetivos dignos de uma grande sonhadora.
Porém tolos para uma mera humana nos dias de hoje.
Século errado... Século errado...
Hoje em dia é tudo tão complexo e tão complicado, queria eu a simplicidade de antigamente.
Os seres humanos acham que estão caminhando para o progresso e para a felicidade ao lotar suas mentes com tantas informações....
Que raios estou fazendo aqui?
Jamais serei compreendida por ninguém...
"Joguem-a na fogueira do dramatismo, exagero, infantilidade!"
Geralmente é esse tipo de compreensão e atenção que tenho.
Muito confortante por sinal.... levando em consideração é claro que não ocupa muito o tempo das pessoas assim.
Eu tento entender as pessoas, mas jamais serei como nenhuma delas, nem ao menos parecida, e levando em conta que eu já tentei compreender tantas pessoas diferentes, isso não é algo animador.
"Ah viva a vida! Siga em frente!
As coisas vão mudar, elas vão melhorar!"
É uma espécie de código para "Esqueça... Fuja assim que possível disso tudo e não volte jamais!"
Algo que também não faz parte de mim.
Eu não quero que as coisas melhorem, eu quero que elas se esclareçam, porque afinal, elas são o que são e ponto final, estou cansada dessa mania mundana de dar direito e inúmeras interpretações, como se fosse algo certo "Toda história tem dois lados." Não!
Não tem!
Existe uma única história com dois pontos de vista, ou mais, só que sempre será uma unica história.
E os meus sonhos que se perdem há muito tempo, no fim eles não parecem ter muito sentido a mim.
Eu luto por eles, pelo menos supostamente acredito nisso, e mesmo assim toda a grandeza deles não está neles e sim no que isso significa para mim, eu poderia ser feliz com uma casa no campo, por exemplo, coisas são só coisas, objetos, meros objetos, feito para satisfazer,
Engraçado é ver que as pessoas também fazem isso umas com as outras,
Essa mania mundana de buscar segurança em outra pessoa me é desesperador.
Nós só somos capazes de alcançar a felicidade plena através da independência,
A visão tem que ser mais ampla,
A crença de "Por que você não tem alguém? Como você é solitária..."
Pode ser facilmente respondida: "Porque eu não quero porra!"
Eu não preciso de alguém para eu ser feliz, eu tenho que sabe-lo ser sozinha,
Para aí sim ser capaz de entregar meu mundo a alguém da forma mais sublime possível.
Porque eu amo e não porque eu preciso,
Porque me trás liberdade e não segurança,
Porque me adiciona e não porque é tudo pra mim,
Porque eu escolhi e não porque foi conveniente,
Porque eu cultivei e não porque é capaz de tapar minha ferida,
Para eu dividir o meu mundo e não para fugir dele,
Por tantos motivos que ao ver mundano são tolices,
A pureza se encontra em cada ato meu e porque no parte mais sublime dele seria diferente?
Porém não vamos falar de amores, porque eu acabaria entrando em contradição a tudo o que falei até agora sobre não pertencer a esse mundo.
Pelo menos superficialmente, porque amar pela metade é possível, uma espécie de amor gerenciado funciona muito bem nos dias de hoje e não deixa muitas marcas.
A entrega total é algo totalmente fora de cogitação nesse mundo a mim.
Não poderia eu estragar toda a beleza do meu coração e me condenar a um fim trágico,
Por um mero idiota que aparece na minha vida com milhares de palavras bonitas e suas certezas superficiais.
Pronto a destroçar meu coração por novamente não ser capaz de lidar com essa grandeza, com a qual eu mesma mal sou capaz.
Não é através do convencimento ou do comodismo que se obtém o amor pleno.
Ele vem sem ser convocado, ele surge sem ser desejado, ele simplesmente existe.
Só que não é algo que eu coloque muito fé que vá se consumar.
Eu só vejo idiotas por todas as partes, todos os tipos de idiotas, idiotas encantadores também.
E quem sou eu para julgar tanto?
Alguém que não se encaixa nesse mundo, e não foi por falta de tentar.
Se eu tivesse nascido há séculos atrás... a simplicidade pairava no ar....
Era tão vivido respirar, algo totalmente desesperador hoje.
Talvez seja a hora de eu parar de tentar me adaptar,
Isso tem me destruído muito ultimamente,
Eu tenho que admitir de vez que sou diferente disso tudo.
Embora minhas palavras cessem,
A verdade nunca mudará, eu não me encaixo nesse mundo.
Não é que eu seja mais, ou seja menos, isso nunca terei como saber,
A única certeza e verdade que carrego é essa,
Seres humanos são encantadoramente destrutíveis,
O mundo uma vista bonita,
E eu estou só de passagem.

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