E sentada em um canto escuro lá estava ela,
Olhando tudo ao redor e tentando entender o que acontecia,
Em como a vida tinha tomado atitudes tão drásticas e a trazido até aqui.
Em um momento ao outro nada era como deveria ser e nada mais era normal,
Tudo estava fora do contexto, desfocado... sem brilho.
Não era mais possível reconhecer nada ao redor e isso dava medo,
Pois cada passo dado era um passo para o desconhecido e a volta era irrevogável.
Tudo estava saindo do seu controle e ela precisava ter o controle.
Todos os risos tinham cessado, todos os abraços e pessoas não estavam mais lá.
Tudo estava tão diferente...
E como seria possível continuar contando uma história que envolvia tantos personagens, sendo que agora só restará um, ela mesma?
Não, isso não era possível.
E então ela se pôs a correr, o mais rápido que podia, para manter a perfeição na sua vida,
Pra tentar fazer as coisas darem certo e voltarem a ser como eram,
Para que fosse possível ela voltar a se sentir como se sentia antigamente,
Porque o presente, a incerteza, isso a assustava muito.
A falta de proteção, a falta de segurança, ela não reconhecia a si mesma no espelho.
Toda a sua felicidade se esvaia na medida em que aumentava os seus esforços.
Então seria assim que a vida lhe trataria?
Após todos os seus bons atos,
Após ter dado o seu coração ao mundo, para que eles esmagassem da forma que desejassem.
Seria isso que ela teria das pessoas que se importava?
Uma meia sinceridade, uma meia verdade, um meio sentimento,
Ela que sempre odiara ser o resto das coisas,
Ela que sempre odiara saber que dentre tantas coisas na vida das pessoas que ama, ela era a última opção até mesmo sobre coisas que envolviam ela mesma.
Ela sempre disposta a dar seu melhor e receber o pior dos outros.
Como poderia ainda tentar fazer algo dar certo?
Quais os motivos afinais para fazer tudo dar certo?
Ela já não conseguia mais, pois não havia mais beleza, não havia mais felicidade, não havia mais leveza.
Eram só lutas atrás de lutas, esforços atrás de esforços.
E tudo o que fosse desejado era necessário se conquistar.
Incluindo pessoas, a parte mais difícil.
E ela só queria alguém que se importasse o suficiente para vir ao seu encontro ao invés de ter que correr o tempo todo atrás como fazia, alguém que se importasse o suficiente para ser sincero o suficiente para perguntar as coisas de uma maneira verdadeira, ela só queria alguém para compartilhar esse sentimento puro que sempre habitou em seu coração.
Alguém para ser verdadeira, alguém para faze-la rir, qualquer pessoa, qualquer idade.
Alguém que não quisesse algo de volta ou tivesse um interesse além.
Por isso ela passou a preferir as pessoas que não se importavam dessa forma,
Porque se elas não se importam e mesmo assim decidem ouvir, pelo menos uma coisa se pode concluir,
Elas não querem nada de volta, elas não esperam nada de você.
Seja o seu amor, consideração, respeito ou um favor.
A vida é um saco, ela tinha que admitir.
E ela estava se tornando a ultima pessoa em que queria se tornar na vida.
E nem ela sabia quem exatamente era essa pessoa.
A unica certeza que tinha, era a de que queria viver.
Por que para ela parecia ser tão utópico viver?
Mais que isso, quem passasse um minuto em sua vida, veria que essa utopia era uma utopia real.
Então essa simples história não era tão simples,
E a vida que era tão curta, parecia ser tão longa,
E desesperadamente curta.
A idade avançando os anos, tomando seus números,
Cobrando ações, porém determinando quase todos os horários indisponíveis para viver.
E como dar um basta a tudo isso?
Então ela não entende mais nada e se sente perdida e isso é tudo culpa dela mesma?
Eu não creio que essa história seja tão medíocre a esse ponto,
Como se salvar de algo quando nem se sabe exatamente o que?
Deveria ser tão simples viver e agora...
Para ela, era uma espécie de dilema ultra-complexo.
Esse dilema era a sua vida.
Então ela se manteve olhando a noite toda as pessoas indo e vindo pela janela que estivera observando a noite toda, e se perguntando a si mesma:
"Quando serei capaz de levantar desse canto escuro?
Quando tudo isso começará a valer a pena?
Quando começarei a me sentir viva?
Quando terei a certeza disso?
Quando todos os meus traumas e dramas me abandonarão?
Eles me deixaram partir?
Será que eu serei capaz de sorrir?"
Tantas perguntas e nenhuma resposta....
Ouvia apenas seu eco lhe trazendo a retórica de suas perguntas...
Qual seria a resposta pra isso tudo?
Hunger - Florence + The Machine
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