Hunger - Florence + The Machine

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Big Week

Essa foi uma grande semana, e muitas coisas mudaram dentro de mim...

Algumas coisas são engraçadas de se perceber, outras se tornam ridículas por eu não ter visto antes.

Nós sempre estamos em constante evolução, evoluimos aos poucos... quase não percebemos o quanto mudamos até que alguém nos faça perceber.

Só que essa semana foi diferente... Eu pude notar sem ninguém precisar me mostrar.

Eu tive sim contato com alguém do meu passado que eu não via há muito tempo, o engraçado é que ela não era uma pessoa tão próxima a mim, porém mesmo assim ela me fez perceber o quanto eu mudei pelo simples fato de eu não me sentir confortável e tentar ajustar como eu deveria falar, como eu deveria agir, não que fosse necessário ter algum molde, não se trata disso... mas é que eu tive que reformular meu jeito de ser com aquela pessoa, porque eu não era mais aquela garotinha de 16, 17 anos que ela conheceu...
Isso teve um grande impacto em mim, de uma forma positiva.

Várias coisas que aconteceram essa semana tiveram um grande impacto em mim...

Eu pude perceber quem eu era, quem eu sou e relembrar quem eu disse que eu seria, quais os valores que jurei manter, mas que por algum motivo estúpido deixei escapar no caminho...

Hipocresia! A palavra da semana... A qual eu particulamente odeio, mas que tem total sentido.

Eu me sinto hipócrita, eu me senti muito hipócrita... E não foi porque eu feri alguém ou disse algo que não era verdade, mas sim porque eu percebi o quanto eu estou me auto-sabotando de uma forma tão grande.

A doce garotinha que eu era acabou se perdendo nesse mar de tubarões, os problemas acabaram levando o melhor dela... e todo o humor.... então eu olhei pra minha vida e pensei: Hey! Eu não quero ser assim... Essa não sou quem eu sou! Definitivamente não!

Eu recordei antigos sonhos que eu tinha, antigos objetivos, e todas as coisas boas que eu queria fazer pelo mundo... 

Quando eu era pequena eu jurei jamais tratar alguém da forma como eu era tratada, porque eu sabia o quanto doia... Eu decidi há tempos que não importa o tamanho do tapa que eu leve, isso jamais iria tirar o melhor de mim, jamais me faria igualar em ignorância e destruição...
E então... Bum!
Eu estava imersa na minha hipocresia, fingindo não saber de como era ser tratada da forma como eu fui, de sentir o que eu senti, eu estava distribuindo tapas... e então aquilo me chocou, porque eu não sou assim... 

Então eu me olhei no espelho e pensei "Criança o que você está fazendo?"

Demorou um bom tempo para eu perceber...

Fiz uma viagem no passado, e o principal dentro de mim...
Recuperei alguns valores, deixei alguns traumas irem e percebi o crescimento em alguns aspectos.

Eu havia decidido ser a garotinha que iria ensinar o mundo a ser melhor através do amor e todas as coisas boas incríveis que nada tem a ver com o dinheiro, eu tinha uma mente, um propósito, eu sabia pra onde eu queria ir e tudo de ruim que eu passei iria me mover para o caminho certo...

Eu me lembro como se fosse hoje, o grande momento em que eu percebi que eu deveria saber e escolher por qual caminho trilhar, o que eu iria querer fazer da vida, que tipo de pessoa eu queria ser, e qual tipos de valores eu iria ter... Eu tinha apenas 7 anos, mas eu me lembro desse grande dia como se fosse hoje.

Eu devo minha vida, a minha alma, tudo o que há de bom em mim, pelo menos a maior parte aquilo que as pessoas falam que faz mal... A TV, os filmes, que me tornaram mais culta, que me deram a oportunidade de ver situações, de ter opinião, de escolher um lado, eles me fizeram ter esperança, me mover, e eles sempre foram tão incríveis para mim...
Todos os dias estar longe do que eu realmente quero para a minha vida me destrói, porque todo os dias eu tenho aquela sensação "Garota, por que é que você está perdendo tempo com isso tudo?"
É um pedacinho da minha alma que se vai...

Eu me lembro do meu primeiro grande sonho... Cantar!
Deus, como eu amava cantar... Quando eu não conseguia me expressar, quando ninguém me ouvia, quando não havia ninguém ao meu redor... cantar sempre foi o que elevou minha alma, a música sempre traduziu o que estava dentro do meu coração... E eu tinha apenas 4 anos quando decidi ser uma cantora de sucesso, o que é muito engraçado, porque até hoje eu não tenho talento pra isso... rs...

Tantos grandes sonhos dentro do meu pequeno coração, que gritavam tão avidamente sem serem ouvidos por ninguém... A vida sempre tratou de ser frustante para mim... O que também é engraçado...
Porque como você irá crescer e se tornar em alguém confiante, quando não tem ninguém olhando pra você... Quando ninguém acredita em você?
Como você vai acreditar que qualquer coisa seja possível na vida, quando não há ninguém?
Outra coisa totalmente frustante da minha infância, a solidão.
Era horrível estar sozinha o tempo todo, o meu unico momento de companhia era na escola de manhã, era incrível, era o máximo e eu amava e da mesma forma não queria que acabasse, porque em casa não havia ninguém, nem mesmo nas raras ocasiões que havia alguém...
Eu chegava da escola ninguém... eu ia dormir com a tv ligada sem ninguém...
Eu particulamente não entendo o porque os pais tem medo que seus filhinhos de 9 aninhos fiquem sozinhos em casa por 1 hora que seja, eu sempre fiquei desde os meus 5 e estou viva.

Eu sempre me senti tão diferente... De todos... da minha família, dos meus colegas, porque eu sempre consegui ver além... Eu sabia, porque eu vivia aquilo constantemente, eu queria que as pessoas pudessem ver além e enxergassem meu coração, que se contorcia e se sufocava enquanto era reprimido pelas mãos que deveriam acalenta-lo.

Eu nunca vi muito sentindo nas coisas inúteis e fúteis que todas as criancinhas viam e choravam e pediam... Eu nunca fiz birra porque eu queria algo, eu achava qualquer bem material desnecessário, o que de fato é! O que eu queria era algo simples, que não custava nem um centavo, era atenção, esperança, carinho, se sentir importante, Deus... vocês não tem noção em como é importante que alguém veja você, que acredite em você...

Teve uma época da minha vida em que eu me perguntava "Se eu morrer... será que alguém vai chorar por mim?"
É claro que alguém sempre vai chorar e sentir falta de alguém que se vá, mas o problema nessa situação é que naquela época eu tinha completa certeza que ninguém iria chorar por mim, e não ser notada, não ser importante, não ser ninguém... acabava comigo... Enquanto eu observava as fúteis reclamações de crianças mimadas em suas vidas perfeitas.

Eu sempre fui otimista, sempre acreditei em um proprósito maior do que nós mesmos, sempre acreditei em Deus e eu sabia que se eu estava vivendo tudo aquilo, era exatamente pra saber como eu  não deveria me portar, em como eu deveria ver as pessoas, em como palavras e atos podem nos atingir de uma forma brutal.

Acredito que por isso que hoje eu seja tão sentimental, porque na minha vida não havia emoções, só a ausência delas...

Então eu quero ir lá conquistar o mundo e mostrar que isso não está certo, que as coisas não devem ser assim... Sim, eu quero e eu irei fazer, porque a revolta com todas essas coisas erradas permanecem em mim até hoje e permanecerão pra sempre, porque eu sei que tudo tem um propósito, se as coisas não forem ruins como vamos perceber que algo tem que ser modificado?

Eu passei por muitas coisas na minha vida... Algumas delas contei pra várias pessoas, outras contei apenas para os mais próximos, as mais privadas contei apenas para os mais confiavéis e há também as coisas com a qual eu não quero ou não consigo lidar que jamais sairam da minha boca pra ninguém... todos nós temos nossos segredos... e nem todos são ruins... nem todos precisam ser revelados... nem tudo o que você passa você precisa contar para alguém, nem tudo o que você pensa você precisa dizer, nem tudo o que sente você precisa demostrar...

Eu passei um bom tempo sendo transparante com a maioria das coisas para saber como é ser sentimental e "exagerada"?

Eu gosto dos minimos detalhes, é assim que eu sou... são nos pequenos desleixos da vida que acabamos perdendo grandes coisas... foi assim que eu me perdi.

De todos os anos que vivi, nenhum foi pior do que a minha quinta série, a minha submersão na dor e na melodia do evanescence... até hoje não consigo falar tão claramente o quão horrível foi aquele ano e o porque, mas tudo o que eu desejei durante aquele ano, foi apenas morrer... ou eu achava que era isso na época... era como ter arame farpado dentro da pele, em contato com seu corpo, perfurando tudo, destruindo tudo... Naquele ano eu me perdi e pensei em todas as formas heróicas das quais eu poderia abdicar da minha vida em paz. Eu queria ser vista, eu queria ser notada.
Tudo o que eu tentava fazer não era bom o suficiente, eu não era boa o suficiente em nada... me diziam... me mostravam... Então pra que continuar?

Então eu me pus novamente frente a mim e disse: "Desisto de viver! Mas não irei acabar com a minha vida, porque isso é ridiculo! Ficarei pra ver o quão ironica a vida pode ser..."
Não que eu não tenha pensado ou tentado... mas morrer não era exatamente o que eu queria, só mais tarde pude perceber isso.

E então outras experiências maravilhosas foram dadas a mim... a unica forma que eu conseguiria me expressar completamente era escrevendo, e eu espero um dia fazer lindas músicas....

Eu sei que tudo isso é passado e nada disso me atinge mais da mesma forma como me atingia antigamente, eu cresci, eu evolui, eu superei... Foi preciso.
Aprender a levantar com os próprios pés...
Tive sorte nos próximos anos e de uma certa forma eu tenho até hoje, mesmo sabendo que nenhuma pessoa a qual tenho como próxima me conheça realmente... isso não é mais um problema para mim... todos temos nossas vidas, nossos próprios problemas para cuidar, nossos demonios para enfrentar.

Eu ainda estou nessa constante evolução, nos meus altos e baixos em confiar em mim, controlando o pânico do futuro que é incerto... Buscando por um exemplo a seguir... encontrando vários, descartando alguns... E então me deparo com a história de uma garotinha que mesmo com tantos problemas graves na vida ela deu um jeito de dar a volta por cima, buscar o melhor de tudo o que lhe aconteceu, fazer o seu melhor, tratar as outras pessoas da melhor forma, ela se determinou a ser um exemplo para as outras pessoas, ela não se transformou em um molde, mas sim mostrou que as coisas que ela acredita, que as coisas que ela sente no coração são coisas que merecem ser compartilhadas, seguidas, ensinadas... e com tudo isso, ela me lembrou de quem eu queria ser.
Ela me lembrou exatamente de tudo o que eu queria pra minha vida, quando eu tinha apenas 7 anos e era mais decidida do que sou hoje, ela me fez parar e refletir sobre minha vida. É incrível como as vezes pessoas que você não conhece e nem sabe se vai conhecer um dia são capazes de mudar sua vida...

Então pela primeira vez em muito tempo, eu me lembrei o que era me sentir bem... e a fazer o bem.
E de todos os valores que tinha deixado para trás, quem eu queria ser antes de fazerem eu desacreditar em mim....

É exatamente como dizem... Siga seu coração... apenas seu coração...
Ele sempre saberá o que é melhor, o que é o certo.

Eu havia parado de ouvi-lo... e isso era triste.

Muitas coisas estão diferentes dentro de mim, e eu preciso de um tempo para processar tudo isso, analisar e saber o que devo fazer.

Mas sem dúvida as grandes mudanças dessa semana foram para o bem.

Meu aniversário se aproxima.... 21 anos... Dói ainda estar tão perdida... mas eu sei que eu me transformarei na melhor pessoa que posso ser... aquela grande pessoa que eu tenho certeza que a minha avó queria que eu fosse.

Algumas coisas estão perdendo a importância para que as coisas que realmente importam tome espaço, algumas coisas serão recicladas, outras descartadas...

Eu acho que nunca me senti tão bem, mesmo estando no meio de uma bagunça, porque no fundo eu sei que essa bagunça é a que vai organizar tudo... é ela que vai me mostrar como as coisas devem ser...

Sem mais, faço as palavras da grande Jessie J as minhas...


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