Hunger - Florence + The Machine

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Sociedade e Gaiolas


Estou vagando por pensamentos, suspensa no ar.
Esperando de alguma forma me reencontrar nesse lugar.
Hoje tudo o que escuto são vozes estranhas saindo de corpos familiares.

Caminhei por tantos anos pra me distanciar e aqui estamos.
Talvez eu que tenha sido tola.
Não pense nem por um minuto que eu sou um espelho seu.
Tenho pavor de jaulas da mesma forma que você tem medo da liberdade.
Nunca vi a menor graça nessa normalidade entediante.

Você não compreende e talvez nunca compreenda.
Não me venha me oferecer uma gaiola parecida com a sua,
Não trate como um prêmio, não espere que eu me sinta grata.

Não estamos em uma situação de igualdade.
Eu também não compreendo a necessidade de tantas algemas,
A diferença entre nós é que eu não faço questão de questionar.

Talvez não existam respostas, não sei porque ainda procura por elas.
Enquanto você vaga em círculos eu ando nas beiradas em direções diferentes.
Isso não significa que eu saiba o que faço, na verdade é exatamente o oposto.
E pra mim está tudo bem, não sei porquê isso te causa tanto incomodo.

Não me venha com esse menu, não hoje.
Opções limitadas com uma ordem de execução,
Onde se começa pela entrada e termina na sobremesa.
Por mais que seja difícil de aceitar, eu funciono diferente.

Você me julga com base em seus padrões morais,
Eu me liberto de todas essas etiquetas.
Não tenho interesse em rótulos.
Quem dirá em pertencer a esse conto.

As vezes é como se eu falasse com um grande nada,
Tudo o que eu ouço são ecos da minha própria voz,
Eu lhe ofereço minha sinceridade e você tenta jogar pela janela,
Sem compreender que o que tenta jogar fora sou eu.

Você renega tudo o que eu represento, tudo o que eu sou,
Mas não entende que eu não estou pedindo nada.
Eu vivo diante das minhas próprias regras.
A razão pra mim está em simplesmente ser.
Por que não podemos apenas existir?

Eu não anseio por expectativas, rótulos, diplomas.
Enquanto você se encanta com a inteligência prepotente,
A espontaneidade me seduz ao transitar entre a liberdade e o absoluto.
Por que não podemos ser livres e absolutos?

Há toda uma beleza contida nesse momento que estamos vivendo,
É incrível que você não consiga enxergar, incrível e trágico.
Eu não espero que entenda, talvez não tenha nada para entender.

Eu não sei como resolver esse dilema, esse impasse.
Em todo o caso irei pausar a realidade, a sua realidade.
Preciso de um momento de espontaneidade.

A gente está há muito tempo nessa dança letal,
Eu tento falar sobre nada, sobre tudo, você tapa os ouvidos,
Tento encontrar algo no meio termo entre desconhecido e o absoluto,
Você se recusa a olhar.
Lhe entrego o espontâneo, algo essencialmente livre, você me aponta a gaiola.

Há tantas diferenças, por que você não aceita?
Somos o que somos, por que tenta me modificar?
Não tenho interesse na sua realidade, por que tenta excluir a minha?

Minha alma é livre, por que tenta destruí-la?
Algum dia iremos nos entender?
Algum dia você abrirá a gaiola ao invés de fechar?



1 comentários:

Costa

Tô no chão. Socorro

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