Hunger - Florence + The Machine

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A aquarela em tom de cinza.







Então de repente não mais que de repente,
Se fez o silêncio presente,
E tudo o que era alegria,
Se tornou tristeza.

Todo o carinho se tornou apenas uma lembrança,
E essa lembrança se tornou força,
E essa força se tornou a última coisa que restou.

O que era próximo se fez distante,
E o que era insignificante,
Ganhou uma importância irracional.

A luta se fez necessária,
E seu ganho não mais que de repente se tornou
em fazer o que era melhor.

E toda a consideração se fez inexistente,
E a compreensão se fez necessária.

A força foi se esvaindo,
E junto foram todos os risos,
Imediatamente substituído por silêncio,
Seguido de tristeza.

E a decepção se tornou um fardo,
E a falta de chance de fazer o certo uma tortura.

Os sonhos se tornou uma utopia,
A realidade uma ilusão,
E ambos eram seus reflexos perfeitos.

Os ganhos então passaram a serem vistos,
Só como pontos positivos,
Como se não existisse o contratempo.

As críticas vieram bombardear
O que já não era forte,
Palavras acusaram ingratidão,
O coração declarou solidão, medo.
Porém seu silêncio camuflado de sorriso,
Não tornou digno o seu entendimento.

Insensatez veio a mente,
Limites foram perdidos,
Vendas foram postas,
Coberta por toda ignorância
Daquela que dizia enxergar.

Olhos foram abertos,
Riscos apareceram,
A necessidade de ser certa teve que ser descartada,
E a culpa assumida.

O orgulho se tornou uma grande piada,
E essa piada foi odiada
por tantas proporções honrosas que causava.

O amor se fez necessário,
Vieram palavras,
Porém palavras são tão secas e inexpressivas
Como as utilizadas nesse momento.
Então a solidão de sentimentos se tornou um fato.

A tristeza se tornou habitual,
A palavra desnecessária.

E de repente, não mais que de repente.
A resiliência se tornou um erro,
E cuidar do que se ama um absurdo.

Então vieram os julgos,
E a chance de defesa foi negada,
Mais uma vez a tristeza se fez presente.

Sonhos antigos foram trazidos a tona,
E a empolgação se fez presente como nunca,
Junto com toda a determinação nunca vista,
porém a tristeza ainda existia.

A necessidade de perdão se tornou insuportável,
E a insignificância atribuída, o pior dos males.

E o grito foi calado.
Porque não havia voz.

Todas as cores tomaram o tom de cinza.

O frio se tornou o pior dos amores
E o calor a mais bela paixão.

Porém o inverno estava só começando.
E a esperança está se segurando por um fio.
Pelo último fio que vinha de todos os Eu te Amo, ditos.

Com o tempo nem mais eles aqueciam,
Se tornaram frios.

Então a vida foi questionada,
O palhaço já não mais sorria,
A graça já tinha sido perdida.

O grande se tornou pequeno,
E sua capacidade foi questionada,
Sua inteligência taxada.

Então foi deixado o grande, ser subestimado,
E o grande coração contaminado.

Não mais que de repente não existiam mais risos,
Só haviam queixas.

E tudo foi se tornando mais cinza...
Mais cinza do que se podia ser...
O frio foi aumentando.

Então ao olhar em volta ninguém encontrou,
Não importava que fosse por um momento,
Naquele momento não havia ninguém lá.
E era esse momento que importava.

Então de repente, não mais que de repente,
Uma lágrima surgiu no olho do palhaço,
E borrou sua maquiagem.

O desespero foi transmitido com um olhar,
E o amor se tornou um objeto perfeito
da loja mais cara com um preço inacessível.

E a lágrima foi descendo...
Descendo cada vez mais.

Porém nada, nem ela mudaria o fato,
de que o frio estava apenas começando,
O silêncio era o dominante,
Os sonhos uma utopia,
A tristeza o pior dos males,
O amor uma bela arte, que só podia ser vista
e não vivida,
Que seu lugar nunca foi achado,
De que reconhecimento era primordial,
E que as vezes ser a ponta certa era o que mais queria,
Que não queria ser sempre o primeiro a ceder,
Que ao olhar pro mundo, não encontrava seu lugar,
Pois os risos foram cessados,
E a seriedade uma imposição.
De que sem seu palco não era nada,
E que as cores desbotaram de uma vez,
De repente, não mais que de repente...


- Aline Marques, autora e palhaço em questão.

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