Eu tento abrir meus olhos para esse mal não me dominar. Eu tento manter minha mente estável diante de tudo o que acontece. Minha fragilidade até parece uma boa desculpa. Quem dera que fosse só mais uma das minhas mentiras. Eu sou muito boa em trazer pessoas para perto, mas tenho diploma em afasta-las, sou PHD nisso. Quando tenho algum bom motivo faço isso, por frustração, dor, ressentimento, seja o que for. Eu aprendi a ser só, eu sempre fui só, por isso as vezes tenho tanta necessidade de estar só. Não é porque eu tenha aprendido a estar com pessoas, a precisar de pessoas, que eu não conseguirei sobreviver sem elas, as vezes esqueço disso, mas me lembro logo em seguida, como fiz há dois posts anteriores. Esqueço que as pessoas são instáveis e tem seus próprios interesses, suas próprias vidas e o que me importa não lhes importa, por mais que digam o contrário, é tão cômico, essas mentiras que contam para nos agradar, não lhes é importante, só "é" porque é importante a nós, se não fosse não seria nada.
Princípios? Eu tenho os meus, os criei, os segui, eu sou eles.
Natureza? Não, a minha natureza, não segue os meus princípios, ela existia antes deles.
Agora vou expor da forma mais aberta possível, vou falar da forma mais sincera possível.
A verdade é que eu não me importo, eu não me importo com ninguém, eu não me importo com o que as pessoas sentem, quem são, o que fazem da vida, eu não me importo com nenhuma delas.
Ninguém nunca se importou comigo, por que eu deveria me importar?
Não! Nesse momento não é drama, não existe drama algum presente, é realismo, puro realismo e não ouse insinuar o contrário.
Quando eu mais precisei, não havia ninguém lá para enxugar minhas lágrimas, não havia ninguém lá para dizer que nada daquilo que me diziam era verdade, não havia ninguém lá para dizer que estava por mim e que eu estava a salvo, não havia ninguém para amparar e orientar a triste, solitária e desolada criança que eu era.
Não havia pessoas por mim e as que existiam eram exatamente aquelas que me torturavam.
Então aprendi a odiar as pessoas, bom, não posso dizer odiar, porque graças a Deus eu não consigo odiar.
Mas aprendi a não precisar delas, eu aprendi a despreza-las, elas não significavam nada para mim, além de uma grande dor.
Nesse momento não é uma vítima que fala e sim só um relato, não acredito que exista vítimas, assim como o mal.
Eu era bem e feliz no meu mundo onde só eu existia.
Vivi assim por anos, até as pessoas virem fazer parte do meu mundo, construir um novo e belo mundo em que não era ruim elas existirem.
Até então eu era feliz e inteligente na minha solidão, com um único medo: No dia que eu me for, haverá alguém para chorar por mim? Uma única pessoa que seja?
Abri espaço para as pessoas, precisava conviver com elas, precisava interagir, precisava fazer parte desse mundo, tive que crescer mais e mais, minhas reflexões internas sobre a existencia, sobre todos os porquês, aumentaram, minha mente trabalhou mais para se adequar, não era tão ruim, mas eu ainda precisava da minha solidão, assim como preciso até hoje.
Me apaixonei, sofri, vi mais uma vez como era ruim ter que conviver com pessoas, mas não desisti, porque o meu desejo de fazer parte de algo maior, como um grupo, era mais importante que me isolar, era assim que tinha visto na TV, nos filmes, era o que todos falavam, conviver para viver, e eu já estava farta de não viver de acordo. Então continuei tentando fazer parte de algo que não tinha muito sentido para mim, mas as pessoas me faziam sentir bem, me faziam rir, eu as fazia rir também, precisava delas como nunca precisei, perdoei, sofri, fui traída, fiquei feliz, senti ciúmes, perdi, senti saudades, conheci novamente, aprendi todas as regras da convívencia, estudei muito a respeito, como ainda estudo, então certas coisas se tornaram repetitivas e fáceis nos relacionamentos, porque as pessoas tinham o mesmo padrão, Deus! Como eu queria não precisar delas, como eu queria não ter que conviver com elas, eu era tão bem só, eu sou tão bem só, mas porque a felicidade que elas me causavam, aquele sentimento que nunca tive de ser importante, só elas eram capazes de dar? Por que eu passei a ter a necessidade de alguém me ouvir, de alguém estar lá?
Aprendi da dura maneira que as pessoas precisam de pessoas, criei um valor para mim. E meu mundo caiu quando vi que nunca tinha aprendido isso. Aprendi o quanto as pessoas são ruins e que elas vão ferir seu coração se deixar, aprendi a ignorar, aprendi a suportar todas as suas estacas e pontas metálicas, mas sobre amar, lealdade, felicidade, confiança, mutualidade, amizade, como eu faria com algo que sempre vi nos filmes e que estava lá na minha frente? Não sabia, fui aprendendo aos poucos.
Minha natureza a todo o tempo pronta a acabar com toda a sensibilidade, porque interiormente eu não precisava das pessoas. Nunca precisei, aprendi a precisar, existe uma grande diferença quando se inverte os fatores nesse caso.
Então o excesso veio, o excesso de humor, felicidade, amor, necessidade, tudo isso criou a dor, mas eu sabia superar, só que as dores criadas eram diferentes, com o tempo aprendi que a dor era a mesma apresentada de formas diferentes, com intenções diferentes.
Eu nunca me importei, mas aprendi a me sentir mal quando não me importava, era como uma válvula que fui configurando com o tempo.
Uma válvula que tenho e terei por toda a eternidade o controle total do seu funcionamento.
Então todas as dores que as pessoas me causavam, as vezes eram reais, muitas vezes não, já tinha aprendido a me decepcionar, eu já sabia a dura lição, que as pessoas não eram perfeitas e que elas eram instáveis e que jamais poderíamos ter o controle sobre elas, que jamais poderíamos exigir seja o que fosse.
Poderíamos brincar com isso, mas jamais tornar real.
Tínhamos que conviver com todas e precisar de poucas, assim o fiz.
Só que tudo isso não contabilizava toda a pureza que existia em meu coração, o meu poder de ver além, de enxergar além de mim, maior fato mundial, as pessoas muitas vezes pensam só nelas mesmas, em como é difícil para elas, em como somos insuportaveis, ou agimos de tal forma em relação a elas, nunca tentam compreender o que há por trás disso, agradeço também por não ser assim, por ser melhor que isso.
Então meu maior erro, passei a me importar com as pessoas, eu não precisava delas, mas me importava com elas, elas se tornaram importantes a mim, uma linha muito tênue com precisar.
As pessoas podiam confundir facilmente. Depois de um tempo percebi que eu também podia, percebi sem perceber, e acabei confundindo e acreditando no precisar por um bom tempo.
Mas a vida é magnífica e sempre dá um jeito de nós acordar.
Então ela me acordou. Há poucos meses.
Eu voltei a ver que eu não preciso das pessoas, não emocionalmente, por mais frio que possa parecer, eu me importo com elas emocionalmente, como estão, mas não dependo delas para o meu estado emocional, parei de fazer os sentimentos delas os meus, porque ao fazer isso, acabei por congelar os meus, então naquele momento deixei de existir.
Talvez seja muito complexo para entender, e assim tem que ser, não é tudo, mas é o suficiente para entender, para eu expressar agora, que não, eu não prendo minha alma a ninguém, e ninguém tem alguma obrigação que seja comigo, e que eu não cobro isso.
O que as pessoas fazem das vidas delas não me diz respeito, é como um filme, eu assisto, me emociono e nem por isso ele vai deixar de estar lá na tela e eu aqui no meu mundo real.
Eu aprendi que viver em pensamento é perigoso, porque não é algo real, então aprendi a viver no mundo real e a conviver com as pessoas, a fazer delas minha força para continuar, minha motivação e minha visão que muitas vezes não tenho, muitas vezes elas se tornam até a minha pureza e afastam minha natureza e enfatizam meus princípios.
Porém eu sei e nunca me esqueci de que elas não me pertencem e de que elas não tem nenhuma obrigação de estar, de ficar.
Eu vivo a reciprocidade e não a necessidade, por mais que seja difícil as vezes diferenciar a linha tênue, no fundo eu nunca tive dúvidas, por mais que as minhas brincadeiras não demonstrem isso.
Eu me importo, por isso estou pronta para vê-las partindo no momento em que eu não seja mais agradável, no momento que não seja mais necessário para elas permanecerem.
As vezes o julgo que fazem de mim não corresponde a verdade, porém não me importo em mudar a opinião, seja de quem for sobre mim, eu não preciso disso.
Todos são livres para acharem o que quiserem, para pensarem o que quiserem, para sentir o que quiserem, para irem sempre que quiserem, eu compreendo, aceito e vivo isso.
Parei de me importar com o que eu falsamente me importava.
E palavras seja de quem for, não mudará todas essas verdades.
O meu blog vai ser fiel aos meus sentimentos e aos meus pensamentos, por fim a mim.
Não me limitarei ao que as pessoas pensam, não me limitarei a agrada-las, se me limitar a isso, melhor tirar o meu blog do ar e escrever no bloco de notas.
Podem me condenar, eu não me importo, não me importo.
Eu só me importo em aprender, crescer e viver.
Essa é a estrada da felicidade.
Esse é o caminho que conheço, é a verdade que sigo.
A do meu coração.
A do meu coração.

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