Hunger - Florence + The Machine

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Humanidade?



Nessa sociedade do espetáculo, será que ninguém percebe que tudo isso é em vão?
Será que ninguém questiona sobre o porquê, pra quê?
Toda essa solidão, toda essa tristeza,
O luto das perdas com as quais temos que lidar todos os dias...
Por que precisamos perder?
Por que precisam existir ganhadores?
Por que precisamos ser diferentes, melhores, maiores, poderosos?
Uma vez que nos foi dado a dádiva do raciocínio, eu me questiono sobre o porquê o utilizamos tão pouco.
Sim, nós construímos impérios, fizemos história,
fomos além da nossa imaginação através da nossa imaginação.
Que privilégio ser humano!
Porém a custa do que? A custa de quem?
Porque há de se pagar o preço pelo progresso, alguém há de pagar...
O mundo é lindo, o mundo é imenso,
E com toda nossa arrogância e ganância estamos acabando com ele aos poucos.
Nós destruímos aquilo que mais amamos, aquilo que mais precisamos.
Nós somos os monstros dessa terra,
Enquanto na nossa mente somos os heróis,
Afinal estamos lutando por algo. O que é esse algo?
Esse algo que faz valer a pena tantas vidas serem desperdiçadas, que destrói mais do que dá.
Nós somos seres tão vazios que precisamos de uma medalha para nos dizer que somos algo?
Da aprovação de seres tão perdidos quanto nós mesmos para sentir que nossa vida vale a pena?
Nós lutamos por riquezas, enquanto há aqueles que precisam que a luta seja travada por eles.
Há os que são torturados, os que morrem de frio, fome, sede, nós sabemos disso!
E ainda assim estamos aqui, nos preocupando sobre qual vestido ficará melhor na cerimônia de gala.
Será que só eu sou anormal por não me sentir bem vivendo nessa sociedade lunática, doente?
As minhas conquistas não soam como conquistas, muito pelo contrário.
Eu me sinto culpada, pois nessa sociedade nós celebramos as coisas erradas.
Sim, existem coisas que merecem reconhecimento e apreço, mas há tantas coisas mais importantes que precisam ser lidadas com urgência e nós fazemos o que?
Tratamos com descaso, porque elas não nos atinge diretamente, porque elas não nos tocam, porque elas não pertencem a nossa realidade.
Que privilégio ser humano!
Nós viramos as costas para nossos semelhantes, para a nossa própria raça e somos a maior ameaça de tantas outras.
No fim, não somos melhores do que nossos ancestrais, nós evoluímos tão pouco.
Nós somos escravos das futilidades a qual damos tanta importância.
Por quê? Pra quê?
Dinheiro, ganância, poder... Como podemos julgar que coisas tão superficiais valem a nossa vida?
Os humanos carecem de compaixão, de amor consigo mesmo e para com o outro, carecem da própria humanidade.
Nesse mundo, há a maioria que sobrevive, alguns que reinam e poucos que vivem de fato.
Todos os dias que deixamos de fazer algo para mudar a triste e infeliz realidade de muitos que sofrem nessa terra é um dia perdido, não há o que se celebrar.
Nós somos governados por medo, dor, tristeza, cada um de nós por uma dose diferente de cada, porém esses são os pilares do mundo moderno.
Só porque continuamos em movimento, porque andamos adiante, isso não significa que estamos de fato, indo a algum lugar.
Nos dias de hoje quando eu paro para refletir sobre toda essa situação a qual enfrentamos hoje, a qual enfrentamos desde sempre, eu penso com grande tristeza...
Será que ninguém percebe que no final tudo isso é pra nada?
Que tudo isso no final não significará nada?
Até quando iremos buscar coisas superficiais?
Quando iremos nos dar conta que o essencial é invisível aos olhos?

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