Há que se sangrar para sentir.
O sangue tem que escorrer pelas laterais dos seus dedos,
Embebedar sua roupa espalhando o seu tom determinante, certeiro,
Para transmitir o sentimento com mais realidade com mais veracidade.
Então alguém levantará o cálice dizendo que tudo isso não passa de uma blasfêmia.
Nos convidando a celebrar mais uma grande mentira.
Tentando esconder todo o sangue derramado.
Porém as cicatrizes são reais, assim como a dor.
Um belo sorriso não tornará tudo melhor, só fará tudo parecer ainda mais sem sentido.
E o relógio há que ecoar seu som, para demonstrar que o tempo passa.
Porém o tempo não significa esquecimento.
O tempo nunca mudou nada a não ser os compromissos e a aparência.
Então os passos hão de ecoar, tão absortos em ser o unico som.
Eles serão símbolo da solidão a medida que vão perdendo a força e se esvanecendo.
Então os seus joelhos irão tombar diante do chão frio e duro.
E as lágrimas irão transbordar por entre seus pequenos e graciosos olhos para dar ênfase ao sentimento que transborda pelo seu peito ardendo como uma chama em brasa, queimando cada pedaço seu, cada parte de seu coração.
E o soluço se pronunciará, com um tom de desespero, desejando se transformar em palavras através da sua voz fraca que vergonhosamente se expande.
E então suas mãos irão cair ao lado de seu corpo, e a ferida estará exposta, sua mente perdida, e a poça mista de sangue e lágrimas te rodearão.
Seu corpo estará tão frágil, suas mãos tremerão e a tristeza será enfatizada.
E então a pergunta irá surgir, a tradicional pergunta que sempre aparece na mente aflita: "Por quê?"
E então, o desejo de por fim tudo acabar.
E então, o medo de só estar.
E na sua forma mais singela de sangramento esse será o mais doloroso.
Porque só o passado é capaz de fragilizar o coração.
E só a solidão é capaz de expandir a pior das emoções.
Então você pegará o cálice e jogará na face de quem profere a verdadeira blasfêmia e questionará.
Questionará o porque tudo tem que ser tão intenso e doloroso.
O silêncio nunca foi o melhor remédio e sim o conforto que se consegue trazer dele.
Sem ser sinônimo de solidão.
E então o sangue passará a jorrar, jorrar pelas vertentes de suas veias, que demonstrarão o terror.
Seus olhos se transformarão em uma cascata através da sua inocência.
No fim, eles tentarão entender através da visão turva sobre a sua mão avermelhada, porque tudo parece tão só e perdido.
E porque as pessoas parecem não se importar, ou no fim não se importam.
Quem condenará ou determinará a verdade e o certo.
Quando isso irá acabar.
Quando poderá se sentir segura.
Eles nunca obterão essas respostas....
Porque para saber há que sofrer.
Só que de sofrimento sua mente cansada entende bem.
No fim se trata de crescer.
Só que para crescer há que se perdoar e entender.
E tu jurarás, diante de mim, que tenta entender...
Que tenta desesperadamente entender que nada disso é sua culpa e de que por fim está realmente tentando fazer o melhor que pode,
Para que suas ambições não se percam por entre os vãos dos seus dedos frágeis e escorregadios.
E para que não se culpe por tudo o que tencionou a ser para os outros e pelo o que acabou sendo.
Por quem eles se tornaram.
E no dia em que compreender que nada disso é sua culpa, talvez aí descubra a grande pessoa que é.
Mesmo com todo o sangue derramado por toda a dor que transborda do seu ser nesse exato momento,
Você luta, luta pelo amor, e essa é a melhor coisa que alguém pode ter.
Mesmo que sangres até o fim, sua emoção será a mais pura que há de existir.
-"E se esse dia chegar, que meus sentimentos permaneçam puros diante de toda a eternidade."

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