Histórias de amores eternos não me ludibriam mais.
Supostas promessas feitas por estranhos não me convencem,
Nenhum desses cupons promocionais de felicidade me atrai.
Assim como nenhuma felicidade momentânea me satisfaz.
Aqui estou eu no meio de tudo, no meio do nada.
Bebendo a pequenos goles a realidade que me esgota.
Planos são vagas ideias de algo que provavelmente não acontecerá.
Aprendi isso ao longo dos anos com todas as decepções que colecionei.
A monotonia me destrói aos poucos, pois eu sou movimento, sou transição e não permanencia, mesmice.
Mas o que posso fazer diante dos dias me conduzem a uma obrigação vital: Sobreviver.
Essa sede insaciável não se satisfaz por si só.
É preciso lutar, é preciso seguir em frente.
Essa urgência nunca abandorá meu coração,
Da mesma forma que o arrependimento não me deixará se eu desistir.
Coloco minha armadura, me preparo para a luta,
E mesmo no campo de batalha,
Continuo procurando o motivo que me fez entrar em campo.
E a verdade é que muitas vezes eu não sei...
Eu não consigo encontrar o objetivo de manter as coisas tal como são.
A mentira que inventei deixa de me convencer.
Tudo tem que ser como é,
Ou é apenas uma visão turva do que eu tenho por realidade?
O ponto crítico do caos rompe a serenidade.
Esse exato momento onde tudo começa perder o sentido aos poucos, aos montes...
Os limites deixam de existir, a importância se dissolve.
Então retorno ao eterno inverno da minha vida.
Estação a qual vivi por longos e pesados anos.
Onde nenhuma luz no fim do túnel existia, não importa o quanto caminhasse na direção do fim do túnel, tudo era apenas solidão.
Solidão que consumia a minha alma, meus sonhos, minha esperança.
Toda esperança era tolice e qualquer sonho era banalizado.
"Nunca será!" É o que diziam...
"Quem é você?" É o que consolidavam.
Por fim, qualquer vã esperança se rompia,
Então sentava-me em frente a algo que promete exaltar minha alma.
Que tirasse o desprezo da minha mente e que me trouxesse a orientação a qual nunca tive.
Que importância tem sobreviver?
Nunca entenderei a importância de sobreviver...
Há tortura mais cruel do isso?
Sua alma sendo destroçada lentamente por aqueles que deveriam se importar...
Seus feitos sendo jogados automaticamente no esquecimento...
Todo o seu esforço não valendo nada...
Os gritos de desespero abafados...
Isso nem de longe remete a lembrança do que é viver.
Mas afinal o que é a vida?
Será algo que enaltece ou que definha?
Que importância isso tem?
E assim caminho correndo enquanto aos olhos alheios apenas me arrasto,
Travando uma batalha contra eu mesma todos os dias...
Me convencendo que no final é tudo para um bem maior,
E que tudo dará certo.

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